Eu não tive uma super câmera no começo. Era o celular mesmo, daqueles que a gente saca no meio de uma conversa, numa reunião de família, no meio da bagunça das crianças. E era ali, sem grandes pretensões, que eu começava a perceber: algo naquilo me tocava. Tinha algo especial em capturar um sorriso espontâneo, uma conversa distraída entre adultos, uma gargalhada de criança. Eu gostava do que via nas imagens, mas mais do que isso: gostava do que sentia com elas.

Com o tempo, fui percebendo que meu olhar sempre buscava algo além da imagem. Eu queria guardar sensações. As cores, a luz, o jeito como alguém olhava pro outro — tudo isso dizia algo. E foi assim que, meio sem querer, comecei a fotografar momentos que hoje guardo com carinho: como a parceria silenciosa entre meu cunhado e meu sobrinho, ou a curiosidade de uma criança.
Mas, como um ser humano normal, lá no fundo, tinha aquela dúvida: será que isso é mesmo uma habilidade ou só uma sorte de estar no lugar certo, na hora certa?
A resposta começou a vir quando minha irmã decidiu comemorar seus 40 anos com um ensaio. Um marco na vida de muitas mulheres. Foi nesse momento em que me joguei num desafio real: trazer pro estúdio toda a emoção que, antes, eu só captava de forma espontânea. Sem o improviso das relações acontecendo ao redor, dependia de mim transformar direção e técnica em algo verdadeiro. Queria que as fotos dela falassem sobre quem ela é — sobre tudo o que construiu, o que carrega, o que escolheu ser. Foi ali que percebi: isso não era só hobby. Era algo que fazia sentido de um jeito muito mais profundo.
Hoje, sigo nesse caminho com o mesmo olhar de antes — mas com mais intenção. Pra mim, fotografar nunca foi só sobre estética. É sobre capturar momentos que valem ser lembrados. Aqueles que, mesmo anos depois, você bate o olho e sente de novo. Uma imagem pode não mudar o mundo, mas pode transformar um instante qualquer em um ponto de conexão com a gente mesmo.
Hoje, sigo com a fotografia como profissão, especialmente em estúdio — onde o desafio é outro, mas o propósito continua o mesmo: capturar emoção. É ali, entre luzes, pausas e direcionamentos, que busco criar espaço para que as pessoas se vejam, se reconheçam e, às vezes, até se surpreendam com o que aparece. Porque mesmo longe da espontaneidade do cotidiano, a verdade continua sendo o que mais importa — e é isso que quero continuar revelando, foto por foto.